Governo aposta em integração para combater facções
Secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, detalhou os quatro eixos do programa Brasil Contra o Crime Organizado

O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, afirmou que o governo Lula (PT) aposta em inteligência, integração entre forças de segurança e tecnologia para enfrentar o avanço das facções criminosas no país. Em entrevista ao PodNews, ele detalhou os principais pontos do programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em 12 de maio pela gestão petista.
Segundo o secretário, o programa regulamenta a Lei Antifacção e está estruturado em quatro eixos: asfixia financeira das organizações criminosas, reforço da segurança máxima nos presídios, ampliação da elucidação de homicídios e combate ao tráfico de armas.
“O crime organizado se alimenta do lucro. Sem dinheiro, não compra armas, não corrompe agentes públicos e não mantém a estrutura criminosa funcionando”, afirmou.
Chico Lucas disse que a prioridade é atingir também o “andar de cima” do crime organizado, com investigação financeira e rastreamento de movimentações suspeitas.
“Não adianta só trocar tiro na comunidade se você não estrangular financeiramente aquilo que alimenta o crime organizado”, declarou.
Afirmou, ainda, que o governo quer ampliar o uso de tecnologia e inteligência policial, com investimentos em sistemas de dados, perícia e equipamentos para extração de informações de celulares.
Banco nacional de celulares roubados
Chico Lucas adiantou que o governo estuda a criação de um banco nacional de celulares roubados. A proposta, nos moldes de uma semelhante já aplicada no Piauí, prevê a unificação dos boletins de ocorrência de todos os estados para identificar aparelhos furtados ou roubados em circulação no país.
A medida deve ser anunciada e implementada ainda neste ano. Segundo Chico Lucas, o sistema permitirá rastrear o IMEI dos aparelhos e notificar pessoas que estejam utilizando celulares roubados.
“A gente vai criar esse banco, identificar quem está usando o celular roubado e notificar essas pessoas para que devolvam o aparelho. Caso não devolvam, podem responder por receptação”, afirmou.
Terrorismo e soberania nacional
Durante a entrevista, o secretário também criticou propostas defendidas por setores da direita e do governo dos Estados Unidos para classificar facções brasileiras como organizações terroristas.
Segundo ele, o governo brasileiro considera que as facções têm objetivo econômico, diferentemente de grupos terroristas, e alertou para os riscos à soberania nacional.
“Nós não precisamos de interferência externa. Precisamos de cooperação”, declarou.
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