Política

Ex-ministro Camilo Santana dá nota 6,6 à educação no Brasil

Para ex-titular do Ministério da Educação, país tem tido avanços, mas número de brasileiros que concluíram educação básica ainda é muito baixo

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Basília Rodrigues , Marcela Mattos
23/05/2026, 22:32 • Atualizado em 23/05/2026, 22:32
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Camilo Santana | Distribuição/Lula Marques/Agência Brasil

Camilo Santana | Distribuição/Lula Marques/Agência Brasil

O ex-ministro da Educação Camilo Santana (PR-CE) avaliou, em entrevista ao programa Sala de Imprensa do SBT News, que o ensino no Brasil tem nota 6,6. Senador pelo Ceará, que possui alguns dos melhores índices de educação do país, o político vê que, em nível nacional, a qualidade da educação ainda é mediana.

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“Eu daria 6, um pouco do que alcançamos na alfabetização de criança, algo em torno de 6,6. Acho que temos um grande caminho para construir pelo futuro do Brasil, mas não tenho dúvida dos avanços importantes”, disse. Quando novamente perguntado sobre a nota baixa, o ex-ministro arredondou para 7.

O ex-ministro ressalta que o maior desafio está na educação básica. Pesquisa recente do IBGE mostra que 67 milhões dos brasileiros não concluíram a educação básica, que compreende os anos de estudos até o fim do ensino médio. “Um terço da população não concluiu a educação básica no país. Nunca se olhou tanto para educação básica neste país. O país precisa garantir aos seus cidadãos que terminem o ensino médio”, disse. "Por isso, você vai olhar os programas para que as crianças aprendam a ler e escrever na idade certa. Se não garantir isso, compromete todos os anos”, analisou.

Além da evasão escolas, o ex-ministro falou da importância de valorizar os professores, de articulação do governo federal com os governos estaduais e municípios, e de mais investimentos. “Educação não vem no curto prazo, diferente de um calçamento, vem a médio e longo prazo”, pontuou.

Em abril, Santana se desincompatibilizou do Ministério da Educação e retornou ao Senado, onde defende projeto de lei que garante destinação de recursos para alcançar metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE), como ampliação das escolas por tempo integral e de instituições de ensino técnico.

O texto impede que todo excedente da arrecadação do fundo social do petróleo seja limitado pelo arcabouço fiscal e teto de gastos, para ser investido na educação. Se aprovado, 80% dos recursos iriam para educação básica e 15% para ensino superior. “É dinheiro novo para injetar na educação brasileira e com metas. Município vai ter que seguir metas, não é enviar o dinheiro apenas”, ressaltou.

Santana rebateu crítica comum da direita contra governos progressistas de que haveria doutrinação nas escolas.

“O único caminho de construir um país justo, soberano, é através da educação. Educação transforma vidas. Não existe doutrinação. Essa é uma narrativa equivocada. Nós vivemos em uma democracia. As pessoas tem o direito de pensarem, se manifestarem, claro que respeitando o direito. Há toda uma base legal de diretrizes da educação brasileira, isso é aprovado por lei no Congresso Nacional”, disse.

Camilo Santana esteve nos últimos 3 anos e meio à frente do Ministerio da Educação. Ele reafirma o discurso do governo de que gestões anteriores promoveram o desmonte de políticas públicas.

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