Com 95% dos votos apurados, disputa segue acirrada no Peru
Roberto Sánchez tem 50,074% dos votos, contra 49,926% de Keiko Fujimori na atualização mais recente da contagem oficial



Segundo turno das eleições presidenciais no Peru | Reprodução Alessandro Cinque/Reuters
O candidato de esquerda Roberto Sánchez segue na liderança da corrida presidencial no Peru e aparece à frente de Keiko Fujimori na atualização mais recente da contagem oficial divulgada nesta terça-feira (9). Com 95,685% das atas contabilizadas, Sánchez tem 50,074% dos votos, contra 49,926% da candidata conservadora.
A diferença entre os dois é de 26.472 votos. A apuração ainda não foi concluída e o resultado final depende da contabilização das atas restantes e da análise de documentos pela Justiça Eleitoral. A contagem completa dos votos deve ser concluída até julho.
A disputa segue marcada pela polarização política e pelo debate sobre segurança pública e economia. A criminalidade e a economia estiveram entre as principais preocupações dos eleitores que compareceram às urnas no domingo (7).
Fujimori chegou a liderar os primeiros resultados divulgados após o fechamento das urnas e também apareceu à frente nas pesquisas de boca de urna. O quadro começou a mudar com a chegada dos votos das regiões rurais, onde Sánchez encontrou parte importante de sua base de apoio e passou a ganhar terreno na apuração.
A eleição também vem sendo acompanhada de perto pelo mercado financeiro. No início da segunda-feira (8), os mercados e a moeda peruana, o Sol, registraram queda diante do avanço de Sánchez na contagem dos votos. Mais tarde, os indicadores se estabilizaram com a expectativa de que os votos de peruanos residentes no exterior pudessem favorecer Fujimori.
Antes da eleição, a agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou que uma eventual vitória de Sánchez poderia aumentar as incertezas relacionadas à tributação, aos royalties, à estabilidade contratual e ao nível de participação do Estado na economia. "Esperamos pressão sobre os mercados peruanos até a conclusão da apuração", afirmou Alexander Robey, gestor de portfólio de dívida de mercados emergentes da Allianz Global Investors. Ele também acrescentou que, caso Sánchez vença, os investidores podem exigir um prêmio de risco maior, com spreads de crédito mais amplos, rendimentos mais altos dos títulos locais e um sol peruano mais fraco.
Ex-ministro do governo de Pedro Castillo, atualmente preso, Sánchez buscou durante a campanha repetir o discurso voltado ao interior do país que marcou a eleição do ex-presidente. Entre suas propostas estão mudanças na Constituição, o indulto a Castillo, a criação de impostos sobre lucros extraordinários e grandes fortunas e a revisão de concessões no setor de mineração.
As propostas encontraram apoio em regiões rurais do Peru e em setores ligados à mineração informal, mas também aumentaram a preocupação de investidores sobre possíveis mudanças na política econômica do país, que é um dos principais produtores mundiais de cobre e relevante exportador de ouro, prata e zinco.
Durante a campanha, Fujimori voltou a se aproximar do legado de seu pai, Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos. Com a criminalidade entre as principais preocupações dos eleitores, a candidata passou a enfatizar políticas de segurança pública associadas ao período em que ele governou o país.
Candidatos pedem paciência
Em sua quarta disputa de segundo turno presidencial, Keiko Fujimori pediu cautela aos apoiadores e afirmou que ainda espera uma redução da diferença com a contabilização dos votos pendentes. "Vamos esperar até o último voto e é isso que espero que todos os peruanos façam", declarou na segunda-feira (8), em frente à sua residência, em Lima.
Roberto Sánchez também adotou um discurso de prudência, embora tenha demonstrado confiança no resultado parcial. "Estou confiante e otimista, mas vamos esperar 100% dos votos", disse a jornalistas no Congresso. "O que vier a seguir é trabalhar para o país, porque a instabilidade política do Peru precisa acabar."
Quem vencer encontrará um país marcado por sucessivas crises políticas. Na última década, o Peru teve oito presidentes diferentes e viu três deles serem destituídos pelo Congresso nos últimos cinco anos.















